quinta-feira, fevereiro 19, 2009

De Mondim para o Tribunal de Alexandria

Presidiu ao Tribunal Internacional de Alexandria (Egipto), recebeu o título de Sir e de Grande Oficial da Ordem do Nilo pelos reis Eduardo VII e Victoria de Inglaterra e foi nomeado cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica, em Espanha. O conselheiro Pereira e Cunha, a maior personalidade do município de Mondim de Basto, Trás-os-Montes, faleceu há 70 anos e foi homenageado há dias através de uma monografia homónima.

Nascido na freguesia rural de S. Pedro de Atei, Pereira e Cunha (1855-1937) evidenciou-se curiosamente num período muito conturbado da História de Portugal, entre o ultimato inglês e a implantação da República. Foi governador civil de Faro, Porto e Lisboa. Na capital, conseguiu a democratização do Carnaval, abrindo-o ao povo, ao passo que recusou sempre a pasta de ministro, apesar dos convites.

Pereira estava para D. Carlos como o padre Vítor Melícias para o antigo primeiro-ministro António Guterres. Quando o monarca morreu assassinado em 1908, a rainha D. Amélia deixou uma frase célebre: "Se o Pereira cá estivesse, não tínhamos feito esta viagem [Vila Viçosa-Lisboa]". Junto da sepultura do conselheiro estão, aliás, os retratos do casal régio, que lhe entregou as Comenda e Grã-Cruz da Ordem Militar da Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

António Pinheiro Torres, sobrinho-neto do retratado e patrocinador do livro evocativo, distingue-o como uma referência da sua geração: "A corte, os políticos, os senhores procuravam-no nos momentos mais críticos do país; o seu parecer era indiscutível e a vida avessa a honras e títulos". O autarca mondinense Fernando Pinto de Moura mal conhecia a personalidade, "tal como a maioria" dos concidadãos, e pretende eternizá-la em S. Pedro de Atei ou na vila, faltando definir se tal será feito em estátua ou nome de artéria. "Mercê da humildade, generosidade e lealdade, Pereira e Cunha silenciava os seus feitos, mas hoje transmite auto-estima às nossas gentes".

Como jurista no Egipto (1903-1925) e aí líder do Tribunal Internacional (1918-25), o
ilustre de S. Pedro de Atei "nunca teve uma decisão sua alvo de recurso". A dedicação e sapiência valeram-lhe ainda as medalhas de Comendador e Grã-Cruz das ordens militares de Cristo e de Avis.

in Diário de Noticias Nuno Passos

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4 comentários:

Anónimo disse...

Tudo o que vem escrito no livro "conselheiro Pereira e Cunha" esté certo, menos quando o autor do livro diz que o Pereira e Cunha não deixou descendentes. Deixou descendentes, teve uma filha que era a minha bisavó, filha do conselheiro Pereira e Cunha, da qual foi aprofelhada pelo Tribunal de Celorico de Basto, já depois da sua morte o conselheiro pai. O seu nome era Aurélia coltilde de Miranda. Tudo isto que estou a dizer posso provar.

AtoMo disse...

Mondim é reconhecidamente um concelho onde escasseiam, ou são mesmo inexistentes, individualidades de projecção Nacional e/ou Internacional.

A pretensão de eternizar o conselheiro Pereira e Cunha merece portanto dois reparos:
1 - Pelo que aqui é descrito, o seu curriculum é sem dúvida merecedor de tal homenagem.
2 - Ao mesmo tempo que Mondim "ganha", pela primeira vez, uma referência humana de projecção reconhecida.

Anónimo disse...

Quando se diz, que em Mondim de Basto não abundam grandes figuras de renome nacional, eu discordo.
Mondim de Basto é pátria de grandes nomes, que ao longo da história Portuguesa, dignificaram a sua terra e o país onde nasceram.
Obviamnente, que o Conselheiro Pereira e Cunha,foi o maior de todos eles, e pena é, que os responsáveis autárquicos da nossa terra, em lugar de se degladiarem em questiúnclas de lana caprina, que não conduzem a nada, ainda se não tivessem lembrado de homenagear este seu filho ilustre.
O Conselheiro Pereira e Cunha, não foi apenas uma grande figura da nossa terra, mas uma grande figura nacional, condecorada ao mais alto nível internacional.
Nem na terra que o viu nascer,
( Atei ), nem na sede do concelho, se regista a passagem deste grande vulto da nossa história.
Mas nunca é tarde para se fazer justiça. Agora que os políticos andam tão atarefados a prometer tudo ou quase aos eleitores, que se lembrem de dar o nome a um espaço municipal, por pequeno que seja, que imortalize os homens grandes de Mondim de Basto
JTS

José T. Silva disse...

Meu caro "Rui Miguel Borges", foi por mero acaso que encontrei este magnífico trabalho, sobre a extraordinária figura desse grande Mondinense, Doutor Juiz Conselheiro Manuel Pereira e Cunha.
A nossa terra (leia-se os nossos autarcas ), nunca teve a têmpera suficiente para lembrar os nossos ilustres antepassados, que hà séculos até hoje honraram em todo o mundo a terra que os viu nascer, elevando e levando a toda a parte o nome de Mondim de Basto.
O Conselheiro Pereira e Cunha, como outros comentadores afirmam, terá sido o mais extraordinário vulto do nosso concelho; mas, houve mais, muitos mais que daqui partiram em demanda de uma vida melhor, e se evidenciaram assumindo altos cargos de chefia e governo nos lugares por onde passaram.
António Caetano Pinto Coelho, viveu no século XVI na Casa da Levandeira em Atei, e emigrou para Minas Gerais(Brasil) em 1520.Ali, fundou uma das mais ricas empresas de exploração de ouro, no lugar de COCAIS,sendo elevado à categoria de Barão de Cocais,pelo governo da época.
Frei Belchior da Conceição, nascido na Casa dos Azevedos da Rua Velha, em 1510 foi guerreiro, heroi e Santo em terras de Angola, onde fundou a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a mais antiga igreja dos portugueses em Lunda.
Mas, há muitos mais. Oportunamente darei conhecimento aos leitores deste "blig" dessas pessoas da nossa terra.